A sul do Ibirapuera


Janela

Tenho muito para ver desta janela que aponta p’ronde, um dia, foi sua casa. Tanta coisa pra pesar. Que sorte a sua, que ainda pode ter a imaginação com asas e, alheia ao meu olhar, voa com ela.

 

Me distraio olhando aqui, desta janela. Aviões vêm perfurar o céu opaco, feito estrelas de artifício, sorrateiras, que, na falta das estrelas verdadeiras, me permitem relembrar o brilho delas.

 

Tenho muito para ver aqui do alto. Muita coisa p’ra pensar enquanto velo a luz mortiça, tanto mais quanto mais longe, e o silêncio que me bate igual martelo. Sem escolha, finjo a calma de um monge.

 

E você que hoje vê, da sua janela, essa manta feita só de luzes frias, uma imitação do céu, astros urbanos, só vigia, como quem olha ao acaso, a mortalha bem bordada dos meus planos.



Escrito por Ruy Villani às 08h43
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